RENAMO exige acção urgente do Governo contra ataques xenófobos na África do Sul

O partido apela a uma intervenção imediata junto das autoridades sul-africanas para proteger os cidadãos moçambicanos face ao agravamento da violência xenófoba, com foco na ameaça da “Operação Dudula”.

O cenário de hostilidade contra estrangeiros na África do Sul atingiu um nível que preocupa profundamente a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO). Através de um comunicado oficial emitido esta terça-feira, 28 de abril, pelo Departamento de Relações Exteriores, o partido manifestou a sua total indignação perante a onda de violência que tem visado, de forma directa, os cidadãos moçambicanos residentes naquele país vizinho.

No documento, a RENAMO descreve um ambiente de “intolerância” que se traduz em mortes, ferimentos graves e a destruição sistemática de bens alheios, incluindo pilhagens e ataques a negócios detidos por estrangeiros.

O partido destaca um ponto crítico: a exclusão de moçambicanos dos serviços públicos básicos. “É inacreditável que, embora devidamente identificados e documentados, os moçambicanos sejam impedidos de aceder aos serviços públicos de saúde e escolas, sob o olhar impávido e sereno das autoridades sul-africanas”, aponta o comunicado.

A preocupação da maior força da oposição moçambicana intensifica-se com a proximidade de uma data específica. A RENAMO apela ao Governo de Moçambique para que estabeleça, com “caráter de urgência”, um diálogo directo com Pretória. O objetivo é duplo: proteger a integridade física dos imigrantes e compreender as motivações reais da chamada “Operação Dudula”, uma organização anti-imigração cujas acções estão previstas para atingir o seu ponto mais alto no próximo dia 4 de maio.

Para fundamentar o seu pedido, o partido recorda os laços históricos de solidariedade entre os dois povos. Moçambique foi, durante anos, um refúgio seguro para os sul-africanos que lutavam contra o regime do Apartheid, tendo muitos cidadãos moçambicanos sacrificado as suas vidas nessa causa. A RENAMO sublinha que actos de xenofobia minam a convivência social e comprometem, a longo prazo, os esforços de integração e livre circulação na zona austral de África.

Imagem: DR

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