Moçambique defende regras justas para mercados de carbono na cimeira africana do clima

Moçambique apelou, esta terça-feira (09), a soluções justas e colaborativas para que os mercados de carbono possam mobilizar financiamento climático em benefício direto das populações.

O posicionamento foi apresentado pelo Secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge, durante a II Cimeira Africana do Clima, em Addis Abeba.

Segundo o governante, o país encara os mercados de carbono como uma oportunidade para financiar projectos de energia limpa, reflorestamento e agricultura sustentável, integrados na preparação da chamada contribuição nacionalmente determinante (NDC 3.0), actualmente em fase de consulta pública.

“A nossa terceira NDC tornar-se-á num verdadeiro roteiro nacional para orientar investimentos num futuro resiliente e próspero para todos os moçambicanos”, afirmou o governante.

Entre as oportunidades, Dgedge destacou que os créditos de carbono poderão viabilizar escolas com electricidade, centros de saúde equipados para conservar vacinas e novas oportunidades de emprego verde.

Contudo, alertou para três desafios centrais, nomeadamente, a baixa emissão histórica que limita incentivos, a necessidade de regras regionais claras para evitar dupla contagem de emissões e a obrigação de garantir que a venda de créditos não comprometa as metas climáticas nacionais.

“Se conseguirmos implementar o Artigo 6 do Acordo de Paris de forma justa e pragmática, estaremos a criar melhores condições de vida para milhões de moçambicanos e a cumprir os compromissos internacionais”, reforçou.

Moçambique defendeu ainda maior solidariedade internacional, sublinhando que países em desenvolvimento não podem enfrentar sozinhos os desafios da transição climática.

 

(Foto DR)

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