Deputados do PODEMOS barrados no Armazém Nacional de Medicamentos em visita surpresa

A bancada parlamentar do partido PODEMOS tentou fiscalizar as instalações em Maputo para apurar denúncias de desvio de fármacos e falta de vacinas nos hospitais, mas a direcção alegou que os responsáveis estão de férias.

Os deputados da bancada parlamentar do partido PODEMOS viram recusado o seu acesso ao Armazém Nacional de Medicamentos, na cidade de Maputo, durante uma fiscalização surpresa realizada nesta quarta-feira, 1 de Julho. A comitiva avançou para o local com o objectivo de aferir a disponibilidade de fármacos e investigar denúncias de esquemas de desvio de medicamentos para o circuito privado, mas esbarrou numa ordem de bloqueio à entrada das instalações.

De acordo com o porta-voz da bancada parlamentar do partido, o deputado Ivandro Massingue, a iniciativa surge na sequência de uma campanha nacional de fiscalização que já cobriu várias unidades sanitárias nas províncias de Maputo e Gaza. Nessas visitas, os parlamentares constataram uma severa falta de medicamentos essenciais, vacinas e antibióticos nos hospitais públicos — uma realidade que contrasta com denúncias frequentes sobre o escoamento ilegal de produtos para abastecer farmácias privadas.

À chegada ao recinto, a liderança do PODEMOS conseguiu aceder apenas ao pátio e à secretaria, sendo impedida de entrar nas câmaras e áreas de armazenamento. A justificação avançada pela direcção da instituição pública surpreendeu os deputados: o acesso foi negado alegadamente porque os funcionários qualificados e responsáveis pelo armazém se encontram em gozo de férias.

“O Estado tem de parar, o país tem de parar porque todos os directores estão de férias?”, questionou Ivandro Massingue, visivelmente agastado. O deputado explicou que a direcção do armazém sugeriu agendar a fiscalização para quando os quadros regressassem ao trabalho, uma alternativa rejeitada pelo partido por retirar o efeito surpresa necessário para desmantelar os supostos esquemas logísticos ilegais. “A denúncia que nós recebemos dá indicações de que muitos lotes e caixas de medicamentos são declarados fora do prazo e retirados legalmente para abastecer o mercado paralelo. Nós vínhamos confirmar isso in loco“, detalhou em entrevista à Miramar.

Durante o impasse no terreno, a liderança do partido tentou contactar insistentemente o Ministro da Saúde, Ussene Isse, para reverter a decisão de bloqueio, mas não obteve qualquer resposta por parte da tutela.

Perante o sucedido, o PODEMOS garantiu que não vai deixar o caso cair no esquecimento e prometeu accionar os trâmites legais e constitucionais ao seu dispor na Assembleia da República para responsabilizar a direcção do Armazém Nacional de Medicamentos, acusando-a de obstrução ao papel fiscalizador e constitucional dos legítimos representantes do povo.

Imagem: DR

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