A Polícia Judiciária portuguesa alertou que a investigação à morte de Pedro Ferraz dos Reis, administrador do Banco Comercial de Investimento (BCI), não está encerrada, uma vez que “para cada acção há uma motivação”. Os inspectores vão tentar agora perceber qual foi a motivação da vítima que, pelos dados preliminares, ingeriu veneno de ratos e automutilou-se com uma faca em várias zonas do corpo. Mas não nas costas, como chegou a ser referido.
Segundo uma publicação do Jornal português “Expresso”, um testemunho do director do hotel onde o banqueiro português se suicidou terá sido um dos factores determinantes para que as autoridades concluíssem que não se tratou de um homicídio, como chegou inicialmente a investigação a sugerir.
A investigação conjunta da Polícia Judiciária e do Instituto de Medicinal Legal de Portugal com as suas congéneres moçambicanas permitiu chegar à conclusão que a tese de suicídio, apresentada pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) moçambicano poucas horas depois de o corpo de Pedro Ferraz dos Reis, estava correcta. O administrador financeiro do BCI realmente tirou a sua própria vida no dia 19 de Janeiro, mesmo admitindo o inspector-chefe Santos Martins, da PJ, durante uma conferência de imprensa em Maputo, na última sexta-feira (30), que a violência usada no acto “não é comum”.
“Numa primeira abordagem ao local onde ocorreram tais factos e perante a quantidade de vestígios detectados, bem como o grau de violência desta morte, suscitaram-se, num primeiro momento, dúvidas quanto à sua causa”, disse o inspector da PJ, Santos Martins, aos jornalistas. No entanto, “das diligências conjuntas realizadas pelo Sernic e a Polícia Judiciária portuguesa, no quadro desta colaboração frutífera, permitiram confirmar e consolidar o resultado que o SERNIC, através do porta-voz, tornou público no dia 20, portanto um dia depois da ocorrência”.
Entretanto, de acordo com a polícia portuguesa, o SERNIC vai agora investigar os motivos pelos quais o administrador do banco moçambicano de capitais portugueses (da Caixa Geral de Depósitos e do BPI) resolveu tomar uma atitude tão drástica.
“Daquilo que foi observado, não nos parecem restar grandes dúvidas de que houve ali um suicídio. O SERNIC vai continuar a trabalhar, porquê? Porque para cada acção há uma motivação e, portanto, a ideia aqui seria tentar perceber, o que nem sempre é possível nestas situações, qual foi a motivação da vítima”, explicou o inspector da PJ.
Sobre a informação de que teriam sido encontradas ameaças no seu telemóvel, que ajudariam a explicar o ocorrido, Santos Martins garantiu que é falsa. “Quem disse que houve ameaças? Penso que terá sido um jornal a escrever isso, não houve nenhuma fonte oficial a falar numa situação dessas”, disse. “De todos os elementos que recolhemos, de toda a prova pessoal que recolhemos, todos os contactos que fizemos, da análise digital dos equipamentos a que tivemos acesso, não temos informação que, de alguma forma, nos indique isso.”
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