“As manifestações pós-eleitorais foram legitimas”, defende Graça Machel

A activista social e ex-primeira-dama afirma que a instabilidade pós-eleitoral é consequência directa da má condução do sufrágio e questiona a viabilidade de futuras eleições sem instituições credíveis.

A activista social Graça Machel quebrou o silêncio sobre o actual clima de tensão política no país, rejeitando o rótulo generalizado de “manifestações violentas e ilegais”. Para Machel, os protestos registados após o escrutínio não podem ser invalidados na sua totalidade, uma vez que têm a sua génese em falhas estruturais de um processo que classifica como “mal conduzido”.

A crise de credibilidade Institucional
Segundo Machel, a falta de aceitação dos resultados por parte de uma fatia significativa da população não é um acto isolado, mas sim o resultado de um processo eleitoral que falhou em garantir transparência. A activista sublinha que a legitimidade das ruas é um reflexo directo da ilegitimidade sentida nas urnas.

“Enquanto não houver, primeiro, instituições eleitorais com credibilidade, imparcialidade, competência e com integridade, então não vale a pena ter eleições”, sentenciou a ex-primeira-dama.

Condições para a democracia
A análise de Graça Machel foca-se na necessidade urgente de reformar os órgãos que gerem os processos eleitorais. Para a activista, sem os quatro pilares fundamentais — credibilidade, imparcialidade, competência e integridade — o exercício do voto torna-se vazio e incapaz de sustentar a paz social.
A sua intervenção surge num momento crucial em que o país tenta reconciliação através do Diálogo Nacional  Inclusivo, colocando no centro do debate a qualidade da democracia e a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.

Imagem: DR

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