A Associação Moçambicana de Bancos (AMB) oficializou as novas taxas de referência que vão nortear o mercado de crédito em Moçambique durante todo o mês de Maio de 2026. No âmbito do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário, a nova Prime Rate do Sistema Financeiro foi fixada em 15,50%.
Este valor é o resultado directo da soma do Indexante Único, calculado pelo Banco de Moçambique em 9,30%, com o Prémio de Custo, estabelecido pela AMB em 6,20%.
A Prime Rate funciona como a taxa única de referência para todas as operações de crédito com juros variáveis no país. Isso significa que qualquer novo contrato, renovação ou renegociação de dívida entre as instituições financeiras e os seus clientes será baseado neste valor de 15,50%, ao qual se acrescenta ou subtrai uma margem de risco específica, conhecida como spread.
No segmento dos bancos comerciais, as margens para empréstimos à habitação apresentam variações interessantes para o bolso do consumidor. O Standard Bank destaca-se com um spread indicativo de 1,00%, seguido pelo Absa com 2,75% e pelo Millennium bim com 4,00%. Já o BCI e o Nedbank posicionam-se com uma margem de 4,50% para este tipo de financiamento imobiliário. No que toca ao crédito ao consumo, o Millennium bim apresenta a margem mais baixa, fixada em 1,20%, enquanto outras instituições como o FNB e o Access Bank praticam spreads de 8,00%.
Para quem busca financiamento empresarial de curto prazo, o Moza Banco oferece um spread de 2,00%, competindo com os 3,00% do Absa e do Access Bank. É fundamental recordar que todos estes valores são meramente indicativos. A decisão final sobre a concessão do crédito e a taxa aplicada depende rigorosamente da análise interna de cada banco sobre a capacidade de endividamento e o perfil de risco do cliente.
Para os clientes que recorrem ao sector de microfinanças, o Banco Letshego mantém um spread padronizado de 13,90% para o consumo em diversos prazos. Outras instituições, como a Bayport e o MyBucks, apresentam margens que variam conforme a duração do contrato, podendo ultrapassar os 40,00% em prazos mais curtos.
As regras gerais para aceder a estes financiamentos permanecem rigorosas. Nos bancos comerciais, o mutuário deve ter uma relação com a instituição há pelo menos seis meses e não pode ter qualquer incidente registado na Central de Registos de Crédito do Banco de Moçambique. Além disso, para créditos de habitação e consumo, a taxa de esforço máxima permitida é geralmente de 30% do rendimento líquido mensal do cliente.
Esta actualização mensal das taxas visa promover uma maior transparência no sector financeiro nacional e assegurar que as decisões de política monetária cheguem de forma clara ao cidadão e às empresas. O comunicado foi emitido esta quinta-feira, 30 de Abril, preparando o mercado para as operações do mês que agora inicia.
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