É “tema do dia” esta semana, o encerramento das operações da empresa sul-africana de fundição de alumínio, Mozal, e o impacto que vai gerar para a economia moçambicana.
Além de avançar um comunicado anunciando a suspensão, a empresa convidou a imprensa para esclarecer as razões da saída do país.
O Presidente do Conselho de Administração da Mozal, Samuel Samu Gudo, disse, ontem, que devido à suspensão de investimentos da South32 – o maior accionista – em Agosto deste ano, algumas empresas parceiras começaram a ressentir-se da decisão.
A Mozal vai encerrar as portas a partir de 15 de Março de 2026, quando parar, em definitivo, de importar matéria-prima – tal que existe até lá. “A partir daí somos obrigados a parar porque o processo de produção da Mozal é contínuo”.
Um dos principais motivos do encerramento é o fracasso nas negociações com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa para o fornecimento de electricidade a preços competitivos. A seca que afecta o rio Zambeze reduziu a capacidade de produção da HCB. E a esse respeito, o PCA disse “já não haver mais conversa”, pois, nas condições actuais, a Mozal é obrigada a recorrer à sul-africana Eskom para ter energia. Isto, conforme notou, implica a transferência da Mozal para a África do Sul.
“Essa discussão já não faz muito sentido, porque Moçambique não tem capacidade para fornecer a energia à Mozal. Nós temos que ir à África do Sul. Com esta situação de seca na bacia do Zambeze não existe a possibilidade de a energia continuar a vir de Moçambique, tem de continuar a vir da Eskom. Essa conversa, penso que já não faz muito sentido” disse.
Citada pela Stv, a empresa avançou que já iniciou o processo gradual de desligamento das máquinas, bem assim da rescisão dos contratos de trabalhos.
“Na nova fase de manutenção, a partir de Março do próximo ano, vamos ficar com apenas 30 trabalhadores e o resto há-de ser segurança. A lei do trabalho hoje permite a suspensão dos contratos de trabalho, mas o que vai se fazer é a terminação dos contratos. Os trabalhadores serão indemnizados de acordo com a lei do trabalho e outros regulamentos do país determinam” adiantou.
Samuel Gudo adiantou que a saída da Mozal vai ter um impacto devastador para a economia do país, na medida em que várias empresas da cadeia de produção serão impactadas negativamente.
“A não-operação no Porto da Matola tem impacto nos Caminhos-de-Ferro, na MPDC. O desligar da energia na Mozal tem impacto na Motraco, nas linhas de transmissão que vão para a estação de Maputo. Nós pagamos pela transmissão de energia, e significa que este custo tem de ir para alguém, possivelmente a Electricidade de Moçambique” referiu.
A South32 detém 63,7%, a Industrial Development Corporation 32,4% e o Governo de Moçambique 3,9% das acções da Mozal.