O edifício do Parlamento do Nepal foi incendiado por manifestantes esta terça-feira (09), em Kathmandu, no auge da crise política que levou à demissão do primeiro-ministro KP Sharma Oli.
O edifício do Parlamento do Nepal foi parcialmente destruído por um incêndio provocado por manifestantes esta terça-feira, em Kathmandu. A notícia é avançada pela “BBC”.
O ataque ocorreu horas depois da demissão do primeiro-ministro KP Sharma Oli, na sequência de protestos contra a corrupção e da morte de 19 pessoas em confrontos com a polícia.
As chamas consumiram parte do complexo de Singha Durbar, onde funcionam o Parlamento e vários edifícios do Governo. Fumo espesso elevou-se sobre a capital nepalesa, enquanto milhares de manifestantes continuavam reunidos à volta do edifício. Várias janelas foram destruídas e paredes vandalizadas com graffiti e mensagens contra os líderes políticos.
Cenas de celebração sucederam-se junto à entrada do Parlamento, onde grupos de jovens dançaram em redor do fogo, muitos empunhando a bandeira do Nepal. Alguns conseguiram invadir o interior do edifício.
“Está mais do que na hora de mudar o nosso país, o nosso primeiro-ministro e todos os que estão no poder”, disse à “BBC” a jovem Muna Shreshta, de 20 anos, uma das manifestantes presentes em frente ao Parlamento.
O ataque surgiu no segundo dia consecutivo de protestos em massa, desencadeados por uma polémica decisão governamental de bloquear 26 plataformas digitais, incluindo o Facebook e o Instagram. Embora a proibição tenha sido levantada na segunda-feira à noite, a mobilização transformou-se num movimento de contestação mais amplo ao sistema político.
Em todo o país, edifícios públicos, sedes partidárias e casas de dirigentes foram também atacados. A residência do antigo primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba foi incendiada, tal como a de KP Sharma Oli, líder do Partido Comunista, que renunciou ao cargo para facilitar uma solução política para a crise.
“Face à situação adversa no país, demito-me com efeitos imediatos, para facilitar uma solução constitucional e política para a crise”, escreveu Oli numa carta dirigida ao Presidente Ramchandra Paudel.
As autoridades prisionais confirmaram ainda a fuga de 900 reclusos de duas prisões nos distritos ocidentais do Nepal, aproveitando a instabilidade generalizada.
(Foto DR)