Moçambique propõe que as economias mais poluentes sejam formalmente pressionadas a aumentar o financiamento e o apoio técnico aos países mais vulneráveis às mudanças climáticas. A proposta foi anunciada esta quarta-feira (05), em Belém, capital do Estado brasileiro do Pará, pelo ministro moçambicano da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino.
Para o efeito, Moçambique participa a partir de hoje, quinta-feira (06) na Cimeira sobre mudanças climáticas (COP 30) com uma delegação chefiada pelo Presidente da República, Daniel Chapo.
Na cimeira, um evento de dois dias, Chapo será um dos oradores em dois painéis de debate, intitulados “Clima e Natureza: Florestas e Oceanos e 10 anos do acordo de Paris: Contribuições Nacionalmente Determinadas e Financiamento”.
“Não se trata apenas de um apelo, pois é um direito. Somos dos que menos poluem, mas sofremos mais. Precisamos de solidariedade e de justiça climática para reconstruir as nossas infra-estruturas e garantir um futuro sustentável”, vincou o governante.
Citado numa publicação da AIM, o governante explicou que Moçambique leva à cimeira duas prioridades: criação de capacidade de intervenção rápida para salvar vidas e proteger infra-estruturas durante eventos extremos, e a promoção de uma agenda de desenvolvimento resiliente.
Segundo o ministro, muitos compromissos assumidos desde o Acordo de Paris, em 2015, ficaram por cumprir, o que aumenta a vulnerabilidade dos países africanos.
“Queremos que as economias mais poluentes priorizem o apoio financeiro e técnico aos que menos contribuem para o aquecimento global, mas que enfrentam os maiores impactos”, sublinhou.
Albino referiu que Moçambique pretende apresentar propostas concretas para reforçar os mecanismos de financiamento climático e facilitar o acesso de países vulneráveis a fundos de adaptação e mitigação.
“Faz parte da nossa agenda nesta COP 30 que haja um aumento do investimento dos outros países para nos apoiarem a robustecer a nossa capacidade de resposta”, disse o ministro, acrescentando que “o orçamento interno não permite dar resposta a todos os desafios”.
Nos últimos anos Moçambique tem sido fustigado por eventos extremos cada vez mais frequentes e com maior intensidade deixando milhares de pessoas sem-abrigo e destruição de infra-estruturas tais como escolas, hospitais, residências entre outras.
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