O presidente da Renamo, Ossufo Momade, evocou na última sexta-feira (17) a figura de André Matsangaisse, considerado fundador e primeiro comandante-chefe do movimento, lembrando-o como um visionário da soberania popular que sonhou com um país livre, justo e democrático.
Durante as cerimónias que assinalaram os 46 anos da morte de Matsangaisse, realizadas no bairro de Namicopo, na cidade de Nampula, Momade sublinhou que o legado do comandante continua a inspirar gerações. “Ele acreditava que o verdadeiro poder nasce do povo e deve servir o povo. Esse ideal não morreu e é nele que continuamos a acreditar”, afirmou o líder da oposição, perante militantes, simpatizantes e antigos combatentes reunidos em solo considerado histórico para o partido.
Segundo uma publicação do Jornal Rigor, Momade recordou a coragem e firmeza de Matsangaisse, que tombou em combate sem nunca recuar. “Falamos de um homem que ousou sonhar com uma pátria plural, onde a justiça fosse mais forte do que o medo. O seu exemplo é chama que não se apaga”, destacou.
O presidente da Renamo frisou que a luta do partido sempre foi guiada por valores de soberania, liberdade e respeito pela diversidade. “Se hoje podemos expressar as nossas ideias em liberdade, é porque alguém abriu o caminho com o próprio sacrifício”, disse.
Dirigindo-se à juventude, Momade apelou a que o legado de Matsangaisse não se transforme em meras palavras de calendário. “Ser patriota não é apenas agitar a bandeira. É trabalhar com dedicação para transformar o país em algo justo, mesmo quando isso custa caro”, frisou.
O líder da Renamo lembrou ainda que a vitória política alcançada com o Acordo Geral de Paz, assinado em Roma em 1992 sob liderança de Afonso Dhlakama, tem raízes no sacrifício inicial de Matsangaisse. “Foi o reconhecimento de que ele e os primeiros combatentes estavam certos nos seus objectivos: a luta por uma democracia pluralista em Moçambique”, afirmou.
Momade acrescentou que os actuais desafios, económicos, sociais e políticos, exigem que a Renamo e todo o país se inspirem nesse mesmo espírito de coragem e coerência. “O preço da liberdade foi alto, pago com suor, sofrimento e o sangue dos nossos heróis. Hoje, mais do que nunca, devemos ser dignos desse sacrifício”, sublinhou.
No encerramento, o presidente da Renamo reafirmou o compromisso do partido com os valores de justiça social, democracia inclusiva e unidade nacional, garantindo que a memória de André Matsangaisse continuará a ser referência no caminho de um Moçambique reconciliado e plural.
(Foto DR)