Os partidos da oposição em Moçambique criticaram a participação do chefe de Estado, Daniel Chapo, na tomada de posse da tomada de Samia Suluhu Hassam para um novo mandato como Presidente da Tanzânia.
Apesar de Daniel Chapo ter justificado a sua presença em nome da relação histórica entre os dois países, os partidos da oposição lamentam esta decisão, alegando que o processo eleitoral na Tanzânia foi marcado por uma onda de protestos aos resultados que deram vitória a Samia Suluhu Hassan com 98 % dos votos.
Segundo uma publicação da RFI, o maior partido político na oposição, o PODEMOS, através do seu deputado, Elisio Muaquina, comentou que: “tendo em conta aquilo que caracterizou o processo eleitoral em Moçambique, os contornos que teve, aqui dá para perceber que um é filho do outro.”
Por sua vez, as bancadas da Renamo e do MDM, também na oposição, criticaram a participação do chefe de Estado moçambicano na cerimónia de investidura, cujo processo de eleição foi marcado por uma onda de protestos aos resultados que deram vitória a Samia Suluhu Hassan com 98 % dos votos.
Samia Suluhu Hassan foi empossada esta segunda-feira como Presidente da Tanzânia, apesar da violência eleitoral que causou centenas de mortos, segundo a oposição, e de uma eleição criticada pela grande falta de transparência.
Um porta-voz do principal partido da oposição, Chadema, estimou na sexta-feira que pelo menos 700 manifestantes hostis ao regime foram mortos na Tanzânia em três dias. No sábado, este porta-voz, John Kitoka, referiu pelo menos 800 mortos.
O país da África oriental, com 68 milhões de habitantes, mergulhou na violência na quarta-feira, dia das eleições presidenciais e legislativas, que decorreram sem oposição, uma vez que os dois principais adversários da chefe de Estado foram detidos ou desqualificados.
Na sexta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou-se “muito preocupado” e exigiu uma “investigação minuciosa e imparcial sobre as acusações de uso excessivo da força”, apelando a todas as partes para que ajam com moderação e “impeçam qualquer nova escalada”, de acordo com um comunicado.
No sábado, a União Africana felicitou a Presidente pela reeleição, mas lamentou “profundamente as vidas perdidas” durante os protestos dos últimos dias.
No domingo, a União Europeia considerou confiáveis os relatos que confirmam um elevado número de mortes resultantes da repressão das forças de segurança da Tanzânia contra manifestantes da oposição, que classificam as eleições de “farsa”.
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