Preços astronómicos dos bilhetes para o Mundial de futebol levam a uma investigação judicial na FIFA

Os preços astronómicos dos bilhetes para o próximo Campeonato do Mundo de futebol levaram a uma investigação das procuradorias-gerais de Nova Iorque e Nova Jersey.

Esta quarta-feira (27), a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, e a procuradora-geral de Nova Jérsia, Jennifer Davenport, anunciaram que estão a intimar a FIFA, organizadora do torneio, a apresentar documentos sobre as suas práticas de fixação de preços para os jogos no estádio MetLife, em Nova Jérsia.

Em causa estão os preços e os lugares sentados. As procuradoras afirmam que “os adeptos podem ter sido enganados sobre a localização dos lugares que estavam a comprar, e as declarações públicas e a divulgação dos bilhetes por parte da FIFA podem ter contribuído para a escalada dos preços”.

De acordo com uma publicação do CNN Portugal, as procuradoras vão investigar o processo de venda de bilhetes e os mapas de lugares da FIFA no MetLife (renomeado Estádio Nova Iorque-Nova Jersey durante o torneio), que, segundo a justiça, foram alterados depois de os adeptos terem comprado os bilhetes.

Inicialmente, o estádio estava dividido em quatro zonas – Categorias 1 a 4 (sendo a 1 a melhor e a 4 a pior). Mas, após o início da venda de bilhetes, a FIFA criou “novas zonas” e acrescentou uma secção frontal em cada categoria. Os adeptos queixam-se que os compradores de bilhetes para as novas zonas “foram excluídos destes lugares e, em vez disso, receberam lugares menos desejáveis, incluindo lugares distantes do campo ou atrás das balizas”.

Os preços dos bilhetes da FIFA para os jogos da fase de grupos nos EUA começaram nos 60 dólares para um pequeno número de bilhetes e chegaram a mais de 600 dólares, segundo o New York Times. Os bilhetes para a final custavam até 10 990 dólares.

Os adeptos já estavam revoltados com os preços elevados, que dispararam nas plataformas de revenda – chegando aos 2 milhões de dólares para a final. Em resposta à indignação, na semana passada, o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, anunciou uma iniciativa para vender bilhetes a 50 dólares aos residentes da cidade.

“Ser honesto sobre a venda de bilhetes não é complicado”, disse a procuradora-geral de Nova Jérsia, Jennifer Davenport. “Mas a FIFA transformou a compra de bilhetes para o Mundial num labirinto de confusão, falsa escassez e preços absurdamente elevados.”

A sua congénere, a procuradora-geral Letitia James, afirmou que os nova-iorquinos “têm direito a uma oportunidade justa de conseguir bilhetes acessíveis” e que “os adeptos devem poder confiar que vão receber os bilhetes que compraram”.

Brett Prodzinski, adepto de futebol de longa data, considerou o anúncio de hoje uma notícia bem-vinda, depois de se ter sentido lesado pela FIFA ao comprar bilhetes online no mês passado. Depois de esperar horas na fila, disse ter encontrado dois bilhetes ​​que lhe interessavam no estádio de Seattle. “Comprei os bilhetes por 515 dólares cada”, revelou, acrescentando que minutos depois, recebeu o e-mail de confirmação e os seus lugares eram num local completamente diferente – atrás da baliza, no lado oposto do estádio.

“Enganaram muita gente. Eu estava disposto a pagar o que sabia que seriam preços inflacionados, mas acho que estão a aproveitar-se dos adeptos”, disse Prodzinski.

A FIFA recusou comentar. A organização tinha declarado anteriormente à CNN que a sua “estratégia de preços abrange uma vasta gama de preços e categorias, refletindo a procura do mercado para cada partida”.

No início deste mês, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, também solicitou informações à FIFA “para avaliar se a lei da Califórnia pode ter sido violada” durante o processo de venda.

O Mundial de 2026 será organizado pelos Estados Unidos, México e Canadá, com jogos disputados nos três países, e começa a 11 de Junho. A primeira partida em New Jersey será a 13 de Junho, com um total de 8 jogos agendados, incluindo a final a 19 de Julho.

 

(Foto DR)

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