Professores graduados denunciam demora na colocação e vivem na incerteza

Professores formados pelo Instituto de Formação de Professores Alberto Chipande, em Pemba, manifestam profunda preocupação com a morosidade do Sistema Nacional de Educação em integrá-los no mercado de trabalho. Alguns aguardam há mais de seis anos.

Um grupo de professores recém-graduados (curso de 12.ª classe + 3 anos) do Instituto de Formação de Professores (IFP) Alberto Chipande, em Pemba, decidiu quebrar o silêncio sobre a situação precária que enfrentam. Em causa está a demora na chamada “afectação” — o processo de colocação oficial nas escolas públicas — que está a comprometer o futuro profissional e psicológico destes jovens.

Segundo os relatos recolhidos, a conclusão da formação académica tem sido seguida por um “vazio” que pode durar entre cinco a seis anos. Durante este período, os profissionais enfrentam o desemprego e a incerteza, apesar de possuírem formação específica para a docência.
Quidos Maurício, um dos graduados, descreve o sentimento de frustração que ensombra o sucesso académico:

“Estou feliz por terminar a minha formação, mas no fundo sinto-me triste e preocupado. Sou um professor formado, mas não sei quando poderei exercer a minha profissão. Entrar no sistema de ensino não é fácil e isso causa-me uma profunda angústia.”

A falta de oportunidades no setor público tem empurrado muitos destes profissionais para o setor informal. Azarnete Aiuba alerta para a triste realidade de colegas que, por falta de alternativa, se dedicam a atividades sem qualquer ligação à sua área de especialização.

“Tenho colegas formadas há seis anos que hoje vendem bolinhos nas escolas para sustentar as famílias, em vez de estarem a dar aulas”, desabafou.

Para além do drama pessoal, os graduados alertam para as consequências pedagógicas desta paragem prolongada. Abudo João destaca que a falta de prática compromete a qualidade do ensino:

• Esquecimento de conteúdos: O longo tempo de inatividade faz com que os professores percam o domínio de matérias e metodologias.
• Dificuldades na planificação: Quando finalmente são chamados, muitos já sentem dificuldades em planificar aulas ou realizar avaliações de forma eficiente.

Fátima Alberto reforça que este atraso tem impactos que transcendem a esfera profissional, afetando a vida social e pessoal dos formados, que se veem incapazes de estabelecer uma estabilidade mínima.

Os graduados apelam agora ao Ministério da Educação e às entidades competentes para que criem mecanismos de colocação mais céleres, transparentes e justos. O objetivo é garantir que o investimento feito na formação destes profissionais se traduza, efetivamente, numa melhoria do sistema de ensino moçambicano.

Imagem: DR

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