As elevadas taxas de reprovação registadas nos exames da 9.ª classe estão a suscitar um debate intenso sobre a eficácia do ensino em Moçambique. Rogério Uthui, antigo reitor e académico, classifica o cenário como um “problema sistémico” que exige uma intervenção urgente do novo Governo.
O académico e antigo reitor da Universidade Pedagógica, Rogério Uthui, defende que as reprovações em massa na 9.ª classe são o reflexo direto de um falhanço estrutural no Sistema Nacional de Educação. Durante a sua intervenção no programa “Noite Informativa”, Uthui sublinhou que esta situação não é nova, tratando-se de um problema que a sociedade civil já tinha identificado, mas que os sucessivos governos optaram por ignorar.
Para o académico, as raízes do problema residem, em parte, na gestão do ensino durante o período da Covid-19. Rogério Uthui criticou a falta de investimento governamental no ensino à distância, que forçou os alunos a estudar em casa sem as condições necessárias. Segundo o comentador, esta lacuna na preparação dos estudantes está agora a manifestar-se nos resultados desastrosos dos exames nacionais.
Um dos pontos mais alarmantes destacados por Uthui é o desempenho negativo nas disciplinas de ciências, com particular incidência na Química.
“Trata-se de um perigo para o país, tendo em conta a aposta atual do mercado de emprego”, alertou o académico.
A incapacidade do sistema em formar quadros competentes nestas áreas poderá comprometer o desenvolvimento económico e a competitividade das futuras gerações no mercado de trabalho.
Perante este cenário, Rogério Uthui lançou um desafio direto ao elenco de Daniel Chapo, instando-o a redefinir as prioridades para o setor da educação. O académico acredita que o desenvolvimento do país está intrinsecamente ligado à qualidade do ensino e que, sem uma reforma profunda, o ciclo de insucesso escolar continuará a repetir-se.
Até ao momento, o Ministério da Educação e Cultura ainda não divulgou a estatística geral relativa aos graduados da 9.ª classe. No entanto, os dados preliminares são preocupantes, com algumas províncias a registar taxas de aproveitamento inferiores a 40%.
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