A 51.ª Sessão Ordinária do Comité de Representantes Permanentes (CRP) da União Africana (UA) teve início esta segunda-feira, em Addis Abeba, Etiópia, antecedendo a 48.ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo e a 39.ª Cimeira da União Africana, agendadas para os dias 14 e 15 de Fevereiro de 2026.
Na cerimónia de abertura, o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, sublinhou a importância estratégica da próxima Cimeira, que reunirá Chefes de Estado e de Governo num momento considerado decisivo para o continente. O responsável destacou o tema central da Cimeira de 2026 — a água como recurso vital para a vida, o desenvolvimento e a sustentabilidade — classificando-o como oportuno e alinhado com os resultados da Cimeira Africana do Clima, realizada em Setembro de 2025, bem como com os grandes compromissos climáticos globais, incluindo a COP30, no Brasil.
Youssouf saudou igualmente a decisão de África acolher a COP32, em 2027, em Addis Abeba, elogiando a liderança da Etiópia e reafirmando a cooperação entre o país anfitrião, as Nações Unidas e a União Africana na preparação daquele que considera ser um evento histórico para o continente.
Num contexto continental marcado por desafios significativos, o presidente da Comissão reconheceu a persistência de problemas de paz e segurança, com destaque para o leste da República Democrática do Congo, o Sudão, a Líbia e a região do Sahel, além de recentes desenvolvimentos anticonstitucionais em vários países africanos. Segundo Youssouf, a União Africana continua a agir com urgência através do Conselho de Paz e Segurança, dos Enviados Especiais, do Painel dos Sábios e dos Comissários, com vista a responder às crises e a reforçar a Arquitectura Africana de Paz e Segurança.
No plano económico e do desenvolvimento, o dirigente referiu o envolvimento activo dos Estados-membros na organização de importantes encontros internacionais e continentais ao longo de 2025, entre os quais a TICAD 9, a 7.ª Cimeira UE–UA, a Cimeira Africana de Infra-estruturas, a Cimeira Africana do Clima, o Fórum Empresarial Afro-Americano e a Cimeira do G20, realizada sob a presidência da África do Sul.
Em matéria administrativa e financeira, Youssouf destacou progressos após a adopção da Auditoria de Competências e Avaliação de Capacidades (SACA), que permitiu a regularização de alguns funcionários e o reforço da disciplina financeira através de medidas de contenção de custos. Referiu ainda parcerias com a China, que viabilizaram a mobilização de 30 milhões de dólares para a reabilitação de instalações da UA, bem como o compromisso do Afreximbank em financiar a renovação da Africa House. Estão também em curso negociações com o Banco Africano de Desenvolvimento para valorizar os activos financeiros e imobiliários da organização.
O presidente da Comissão alertou para um ambiente internacional cada vez mais complexo, caracterizado pela redução de recursos financeiros, aumento do proteccionismo, barreiras tarifárias e restrições de vistos que afectam cidadãos africanos. Neste cenário, apelou aos Estados-membros para reforçarem a solidariedade, a unidade e a auto-suficiência, de modo a proteger os interesses colectivos do continente.
Por sua vez, o embaixador de Angola na Etiópia e presidente do CRP, Miguel Bembe, sublinhou o papel do Comité como pilar da União Africana e garante da coerência política e técnica. “A nossa responsabilidade é assegurar processos transparentes, métodos eficazes e resultados que reflictam o espírito da Agenda 2063, ‘A África que Queremos’”, afirmou.
A sessão de abertura contou com a presença da vice-presidente da Comissão da UA, Selma Malika Haddadi, dos comissários da União Africana, representantes dos seus órgãos e altos funcionários. Durante os trabalhos, os embaixadores irão analisar vários relatórios, incluindo os das subcomissões do CRP, da Comissão da UA e de outros órgãos e agências especializadas, antes de aprovarem o relatório final e os projectos de decisão a submeter à 48.ª Sessão do Conselho Executivo, marcada para 11 de Fevereiro de 2026.
Imagem: UA