Secretário de Estado descobre tanques cheios de combustível enquanto o povo enfrenta escassez nas bombas

A provável causa das longas filas e da falta de combustível que se faz sentir em vários pontos do país pode não ser a falta de produto, mas sim uma gestão estratégica — e controversa — das gasolineiras. Em uma visita de fiscalização à cidade da Beira, o Secretário de Estado na província de Sofala, Manuel Rodrigues, deparou-se com um cenário contrastante: depósitos atestados no porto, mas mangueiras vazias nos postos de abastecimento.

Durante a sua passagem pelas instalações portuárias e principais terminais de logística, Manuel Rodrigues descobriu que uma das operadoras possui stock suficiente para garantir o fornecimento de combustíveis por até um ano.

A investigação no terreno trouxe à tona justificativas que geraram mal-estar. Uma das gasolineiras interpeladas admitiu abertamente a preferência em escoar o combustível para os países do hinterland (países vizinhos sem acesso ao mar, como o Zimbabwe, Malawi e Zâmbia), em detrimento do mercado nacional.

O clima de tensão subiu de tom quando um dos responsáveis da referida empresa recusou-se a prestar esclarecimentos detalhados ao Secretário de Estado. Segundo o funcionário, ordens superiores teriam “calado a sua boca”, impedindo-o de explicar as razões da retenção do stock para o consumo interno.

Este cenário levanta um debate urgente sobre a soberania energética de Moçambique. Embora a IMOPETRO (Importadora Moçambicana de Combustíveis) seja a entidade responsável pela centralização das importações, a distribuição final parece estar refém dos interesses comerciais das operadoras privadas.

Imagem: DR

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