O Tribunal Judicial do Distrito Municipal KaMpfumo adiou esta quarta-feira, para 05 de Novembro o julgamento do denominado caso dos “219 milhões de meticais”, após a ausência, pela segunda vez, do acusador, o director do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga.
O julgamento estava inicialmente marcado para 22 de Outubro, mas também não chegou a realizar-se devido à falta de comparência das partes.
Segundo o jornal Ngani, o processo tem origem nas declarações públicas feitas por Adriano Nuvunga, durante o período de espera pela divulgação dos resultados das eleições gerais de 2024, em que acusou o presidente do partido PODEMOS, Albino Forquilha, de ter recebido 219 milhões de meticais em subornos para aceitar os resultados eleitorais contestados.
Na altura, Nuvunga afirmou possuir evidências de pagamentos ilícitos e submeteu uma denúncia formal ao Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), classificando o caso como um acto de “corrupção política e eleitoral”.
“Viemos fazer uma denúncia contra o senhor Albino Forquilha, presidente do partido PODEMOS. Recebemos informação que indica que ele recebeu uma quantia de 219 milhões de meticais para vender a justiça eleitoral. Subornos desta natureza são punidos severamente pela Constituição e pela lei de combate à corrupção”, declarou Nuvunga à imprensa na ocasião.
Em resposta, Albino Forquilha sempre negou as acusações, descrevendo-as como difamatórias e politicamente motivadas. O dirigente do PODEMOS afirmou que espera que o caso avance para que “a verdade seja devidamente esclarecida” e a sua imagem, “reposta perante a opinião pública”.
Após as declarações de Nuvunga, o PODEMOS denunciou perseguições contra membros e familiares do seu presidente, além da invasão da residência e sabotagem de materiais partidários, incluindo bandeiras e documentos. O partido alegou ainda ataques informáticos às contas pessoais e ao perfil de Facebook de Forquilha.
Com o novo adiamento, o tribunal volta a reunir-se a 05 de Novembro, data em que se espera finalmente o início do julgamento, que coloca frente a frente duas das figuras mais mediáticas do debate político e cívico nacional.
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