O Presidente da República, Daniel Chapo, considerou, ontem, na Assembleia da República, que assumiu os destinos de Moçambique quando a nação estava embrulhada em maus lençóis, devido a questões político e económico-sociais e a fúria da natureza.
Conforme constatou, o país contraiu feridas durante seis meses de estagnação, entre Outubro de 2024 e Março de 2025.
“Encontrámos um país funcional, mas profundamente fragilizado. Era um Moçambique assolado pela instabilidade social, incerteza económica e um ambiente que ameaçava não apenas o funcionamento do Estado moçambicano, mas também a confiança do nosso povo no futuro” notou.
Segundo o Chefe de Estado, a sua tomada de posse, a 15 de Janeiro, foi antecedida de uma contracção “severa” de 4,87% do Produto Interno Bruto (PIB), no quarto trimestre de 2024, “no período imediatamente após o processo eleitoral”. E, em Dezembro daquele ano, a inflacção situava-se em 4,15%, continuou
Consoante os dados apresentados durante o Informe sobre o Estado da Nação, Chapo disse que, em Janeiro deste ano a inflacção mensal foi de 1,45%, o que pressionava o poder aquisitivo dos moçambicanos.
Além disso, o ambiente inaugural do Governo foi desafiado pelas calamidades naturais, nomeadamente, os ciclones Chido (Dezembro de 2025), Dikeledi (Janeiro de 2025) e Jude, em Março de 2025.
“Foram seis meses de destruição do nosso país, que deixaram marcas profundas, desde as manifestações violentas, no tecido económico e social do país” recordou.
Segundo Chapo, só as manifestações pós-eleitorais, prejudicaram o país em 27,4 mil milhões de meticais. Referiu que foram perdidos 50 mil postos de trabalho; destruídos 1.773 estabelecimentos comerciais e sociais; 339 edifícios públicos; centenas de infra-estruturas críticas vandalizadas, incluindo 176 postes de energia, 59 torres de comunicações, 25 bombas de combustíveis, 16 portagens, cinco básculas, ambulâncias, viaturas públicas e privadas.
Com efeito, lamentou o facto de o executivo ter redireccionado capital para costurar as destruições – um exercício ainda não terminado –, no lugar de criar novas infra-estruturas e gerar mais emprego.
“O que deveria impulsionar o desenvolvimento teve, inevitavelmente, de ser transformado em resposta à destruição” disse, notando que esse movimento criou um défice adicional de 130 mil milhões de meticais na Conta Geral do Estado de 2024. O efeito dominó disso, conforme declarou, “obrigou o Estado a recorrer a mais endividamento, agravando ainda mais a vulnerabilidade económica e social”.
Os eventos climáticos afectaram mais de 1.8 milhões de pessoas; causaram 313 mortes; 1.255 feridos; Mais de 414 mil casas destruídas, das quais cerca de 12.853 inundadas; 207 hospitais, 1.822 escolas e 5.969 salas de aula danificadas; mais de 1,2 milhão de hectares agrícolas afectados, com perda total em 97.083 hectares – 381.249 agricultores em todo o país – foram prejudicados; 8.194 km de estradas destruídas, 23 pontes, 78 aquedutos e 29 sistemas de abastecimento de água inutilizados em todo o país.
“Esta é a imagem do Moçambique que herdámos: uma casa de todos nós, erguida com esforço, habitável e resiliente, mas com fissuras profundas que ameaçavam a sua estabilidade e exigiam intervenções urgentes e corajosas. Uma casa que precisava de cuidado, de reconstrução e de renovação” considerou.