Moçambique é assolado pelo terrorismo há oito anos, desde a primeira incursão em Outubro de 2017, em Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado. De lá a esta parte várias pessoas morreram, a maioria civis, tanto vítimas de terroristas como de acções das forças de militares governamentais, conforme avançam fontes.
Para combater o terrorismo, o país viu-se obrigado a buscar apoio externo, principalmente regional, que actuou no Teatro Operacional Norte.
O foco era garantir segurança, estabilidade e paz às comunidades afectadas, ao mesmo tempo que os projectos de exploração de gás natural liquefeito (GNL) procuravam esse ambiente para continuar as operações. As pessoas, se não eram assassinadas, viam-se obrigada a abandonar suas zonas de origem e procurar locais “seguros”. Os projectos de gás foram suspensos.
Citado pelo The Guardian, o pesquisador moçambicano do Instituto de Estudos de Segurança, Borges Nhamirre, considerou que as acções de combate ao terrorismo, oito anos depois, falharam na protecção dos direitos humanos e lograram algum sucesso na protecção do projecto de gás da francesa TotalEnergies.
“Primeiro, é preciso perguntar qual era o [objectivo] das forças ruandesas e moçambicanas. Se era garantir a segurança humana, então podemos dizer que elas falharam… Mas se o objectivo era proteger o projecto de GNL, então elas obtiveram algum sucesso… O projecto de GNL está definitivamente mais seguro do que em 2021” disse.
Área1/Cabo Delgado: TotalEnergies exige reavaliação orçamental do projecto para cobrir custos da suspensão desde 2021
A situação humanitária, conforme nota o The Guardian, vai de mal à pior, uma vez que centenas de milhares de pessoas estão situação de deslocados – só até finais de Novembro de 2025, mais de 350 mil pessoas foram deslocadas devido a novos ataques; os terroristas aumentaram raptos de mulheres e crianças; o conflito parece perder interesse internacional à medida que as guerras da Ucrânia e Rússia, Gaza e Sudão, ganham maior visibilidade.
Os doadores contribuíram com 195 milhões de dólares para a resposta humanitária em 2025 – apenas 55% da necessidade estimada –, em comparação com 246 milhões de dólares em 2024, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, escreve o portal.