A administradora do distrito de Montepuez, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, Genuína Nangundo, acusou cidadãos estrangeiros de recrutarem jovens para criar instabilidade, com o objectivo de facilitar a exploração ilegal de ouro.
Segundo a administradora, citada pela Rádio Moçambique, estes jovens estão a ser recrutados no posto administrativo de Nairoto. De acordo com a responsável, que não especificou a nacionalidade dos supostos estrangeiros em questão, os mesmos recorrem igualmente à desinformação sobre a forma como a cólera se propaga para incitar a desordem nas comunidades.
“Os estrangeiros dão dinheiro aos jovens, recrutam-nos para trabalhar nas minas. Acabam por agir como patrões, enquanto os nossos jovens entram nas minas, extraem o ouro e lhes entregam”, disse a administradora, avançando que pelo menos duas pessoas, consideradas líderes, já foram detidas na sequência de actos de vandalismo que culminaram na destruição da sede e da residência do chefe da localidade de Macololo há alguns dias.
Nangundo acrescentou que a divulgação de desinformação sobre a cólera foi usada como pretexto para desestabilizar a governação local. “Foi criado um ambiente estranho. Houve desinformação sobre a cólera como estratégia para desorganizar o governo local e permitir que continuassem as suas atividades ilegais”, afirmou.
Devido à insegurança, o chefe do posto administrativo de Nairoto e o chefe da localidade de Macololo abandonaram temporariamente as suas áreas de jurisdição por receio de que as suas vidas estivessem em perigo.
A administradora exortou os jovens a não se deixarem manipular por promessas financeiras, alertando que tais práticas põem em risco a soberania e a integridade territorial. “Os jovens devem estar atentos. Não podem comprometer o futuro da sua pátria em troca de ganhos imediatos”, acrescentou.
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