O ex-Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), Carlos Martins, reagiu com dureza ao recente informe anual do Procurador-Geral da República, Américo Letela. Em causa está a versão oficial que tenta ligar o assassinato do advogado Elvino Dias a um esquema de falsificação de documentos.
Durante a sua intervenção em entrevista à Eco TV, Martins foi incisivo ao questionar a lógica da investigação apresentada pela PGR. O Ministério Público sugeriu que Dias estaria envolvido numa disputa por uma certidão, o que teria motivado a sua execução. Para o antigo líder dos advogados, essa explicação carece de sustentabilidade e ignora a complexidade da operação que vitimou o causídico.
“Não nos parece que o Elvino Dias, supostamente — porque não há provas disso — estar envolvido numa certidão, pudesse ser barbaramente assassinado com 20 tiros”, afirmou Carlos Martins, sublinhando que a Ordem não seguirá este entendimento por “mentalidade de manada”.
O informe de Américo Letela apontou que o crime teria contornos estritamente criminais, afastando a hipótese de assassinato político que tem dominado a opinião pública. Contudo, para a OAM, a mobilização de viaturas e o uso de força excessiva (cerca de 20 disparos) indicam uma motivação muito mais profunda e planeada do que um simples desentendimento administrativo.
Carlos Martins reforçou que, para a classe profissional e para a sociedade moçambicana, as “verdadeiras razões” por detrás da morte de Elvino Dias continuam por esclarecer. O posicionamento da Ordem coloca em xeque a credibilidade das investigações, num momento em que a justiça moçambicana está sob forte escrutínio internacional devido à sensibilidade do caso.
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